CANNES – O chinês Lou Ye fez as honras e abriu a competição no Festival de Cannes na noite de (13/05). Depois da graça e da leveza de “Up”, que inaugurou o evento fora de competição, veio “Chun Feng Chen Zui De Ye Wan”, com nome em inglês “Spring Fever” (febre da primavera), um filme denso, de imagens granuladas e câmera grudada nos personagens.
Luo Haitao (Sicheng Chen) é contratado pela mulher de Wang Ping (Wei Wu) para espioná-lo, pois ela desconfia que o marido tem um caso. Está certa: Wang Ping vive um romance homossexual com Jiang Cheng (Hao Qin). Inconformada, ela faz um escândalo no escritório onde trabalha o amante de Wang e consegue separá-los. Enquanto isso, o próprio detetive Luo Haitao se envolve com Jiang Cheng, carregando junto a namorada, Li Jing (Zhuo Tan), ela própria numa relação estranha também com seu patrão.
Jiang Cheng, o verdadeiro protagonista, é uma espécie de fruto proibido: homossexual assumido, que canta vestido de mulher numa boate para se divertir, ele nunca consegue ter um relacionamento aberto com nenhum homem. Representa a liberdade que muitos não podem – ou não querem – ter.
Os personagens parecem perdidos no amor, que têm apenas pela metade. Todos são assolados pela solidão. A China de hoje penetra cada margem da tela: o trabalho ilegal, as fábricas de falsificações, a cultura underground. Não é a China misteriosa ou clássica que muitas vezes é vista no cinema. Lou Ye, banido duas vezes em sua terra, está interessado no lado urbano de seu país, que se moderniza rapidamente.
Por: Programa EsCâNdALo!
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